sexta-feira, 13 de outubro de 2017

PRETO

Chegou escondido
Na palma de uma mão
Se entregou com um latido
Começou a confusão
Um era contra, foi voto vencido
Viu-se logo compelido
A aceitar a situação

Sofá rasgado e chinelo carcomido
Um bagunceiro destemido
Aquele bicho era danado
Mas a conquista era logo imediata
Aquele ser de quatro patas
Mais parecia um enviado

Quando jovem, era pura energia
Transformava nossos dias
Numa grande diversão
Corria solto fazendo sua festa
Mostrando a todos que o que resta
Era viver em profusão

Preto, foi o nome escolhido
Daquele ser indefinido
Que só fazia encantar
Por onde andava era dele a atenção
Praia, rua, calçadão...
Fosse qual fosse o lugar

Com um olhar era dado o recado
Nos ensinou que aprendizado
Independia de uma voz
Tudo era alegria e brincadeira
Um companheiro “de primeira”
Imprescindível a todos nós

O veloz tempo acalmou sua vida
Presenciando a partida
Do casal que protegia
Sua missão já estava terminando
O seu corpo foi cansando
Da terrena estadia  

Envelhecido e bastante debilitado
Nos deu seu último recado
Que guardarei pra eternidade
Com uma mistura de coragem e alegria
Seguiu pra nova moradia
Juntar-se aos pais na minha saudade.

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