quinta-feira, 15 de outubro de 2015

GENIALIDADE ESQUECIDA

Nos devaneios que me assolam a todo instante
De modo pleno e incessante
Olhando a porta de um museu
Eu percebi a qualidade impressionante
Dessas mentes cativantes
Que a humanidade se esqueceu

Apresentada a relatividade em sua teoria
Com inteligência e maestria
Por um Einstein descabelado e linguarudo
Com suas frases de genial ironia
De certa forma constrangia
A impressão de saber tudo

Michelangelo com suas poesias e pinturas
Arquiteturas e esculturas
De impressionante realismo.
Levando todos ao limiar da arte pura
Trouxe a expansão de uma cultura
Entre o Renascimento e o Maneirismo

Santos Dumont, outra grande celebridade
Desafiou a gravidade
Com seu eterno Quatorze Bis
Na aviação é dele a paternidade
Deu um salto a humanidade
Formando nova diretriz

Charles Chaplin encantava todo o mundo
Dando vida ao “Vagabundo”
Proporcionava riso e choro
Algumas horas que passavam em um segundo
Com enredos ricos e profundos
Aclamado sempre em coro

E tantos outros que com sua sabedoria
Acrescentaram melhorias
Em nossa forma de viver
Encontrei nesta pretensiosa poesia
Feita com humildade e alegria
Uma forma de agradecer.

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

O INVISÍVEL


Quem é aquele sentado na calçada?
De mão estendida e de boca fechada?
Com um olhar perdido e barba crescida
Um estranho comum de imagem esquecida

Cabelo mal feito e roupa surrada
Invisível às pessoas que passam apressadas
Talvez a espera de um gesto fraterno
Qualquer atitude que alivie seu inferno

Com a mão estendida pedindo socorro
Divide a comida com um faminto cachorro
De existência irritante aos “nobres” vizinhos
Não o admitem em seus “sagrados” caminhos

Pessoas vazias de caridade e amor
Endurecidas, egoístas e de profundo amargor
Uma manta rasgada para a noite que esfria
No lixo é encontrado o alimento do dia

Com ele é guardada toda uma história de vida
De passado mais digno e uma família perdida
Agora um pedinte de corpo adoentado
Um irmão a espera do sofrimento findado

Assim caminha a “desumana” humanidade
Miserável de afeto, nessa patética cidade
Mas como a justiça há sempre de ser feita
Chegará implacável nos obrigando a colheita...

terça-feira, 25 de agosto de 2015

O TRANSTORNO (TDAH)

Criança amedrontada 
Criança hiperativa
Sem muita expectativa
Sem saber da condição
Foi crescendo atrapalhada
Caminhando na contramão


Cada dia mais assustada
Com a ausência da noção
Um E.T. enclausurado
Pela falta de opção
De pensamento acelerado
Desfocado na ação


Hoje, ainda deslocado
Desta gente sem razão
Um homem “desmembrado”
Procurando a solução


Um Hiperativo Transtornado
Deficitário de Atenção...

sexta-feira, 31 de julho de 2015

SONHAR

Dizia a canção: “Viver é melhor que sonhar”
Mas se quem para de sonhar, desiste de viver
Como poderei suportar
A realidade sem enlouquecer

São os sonhadores que transformam o mundo
Quem apenas vive não altera nada
Quem sonha por apenas um segundo
Terá um segundo de vida transformada

O sonho liberta a alma
Tendo sua consciência expandida
O agitado mundo se acalma
Acarretando um alento a vida

Me tirem tudo que tenho
Mas jamais lhes darei meus sonhos
Me resguardo deste mundo ferrenho
E de tudo que me é enfadonho

Por vezes em sonhos profundos
Em outras em pensamentos distantes
Me torno turista de outros mundos
Varando em destino errante
  
Seja qual for seu caminho
Jamais abandone “o sonhar”
Independente de flores ou espinhos
Não espere seu tempo findar.

terça-feira, 30 de junho de 2015

SONHO DE CRIANÇA

Vislumbrando o universo de criança
Tinha pega-pega, tinha dança
E tudo que era forma de brincar
Vieram todas as personagens infantis
De Curupira a Sacis
Também Iara e Boitatá

Muitos balões como estrelas lá no céu
Roda-gigante e carrossel
Só brincadeira e diversão
Por todo lado eram cantigas e cirandas
Muitas flores e guirlandas
Era a felicidade em profusão

Naquela aldeia tinha algo interessante
Pois ali cada habitante
Era gentil e acolhedor
Havia um perfume exalando a todo instante
De uma forma incessante
Que curava toda dor

Naquele mundo a idade não importava
Onde a vida transbordava
E a tristeza não se via
A todo momento uma música tocava
De qualquer parte se escutava
Aquelas belas melodias

Pra refrescar, um imenso chafariz
E a criançada bem feliz
Naquele sonho realizado
Os animais convivendo em harmonia
Estava tudo em sintonia
Neste universo iluminado

O tempo parou para aquela maravilha
Unificando esta família
Recomeçando a criação
E DEUS contente dando nova oportunidade
A já perdida humanidade
Viu nas crianças a salvação.

terça-feira, 23 de junho de 2015

RAP DA DESESPERANÇA

Massa cinzenta... Falida
Povo que aguenta... Sem vida
Gente alienada... Teclando
Em frente à TV... Prostrando
Mais uma cerveja... Cachaça
É o álcool na mesa... Desgraça
O trabalho do dia... Escravidão
O dinheiro a qualquer preço... Prostituição
Mais um irmão pedindo... Miséria
Mais um corrupto sedento... Pilhéria

Quero partir, quero ficar, quero uma ajuda, quero ajudar
Olho por olho, dente por dente, saúde pra todos e todos doentes

Quatro dias de folia... Esquecimento
Cinco meses pagando... Sofrimento
Mais uma facada nos peitos... Criança
É o noticiário do dia... Desesperança
A miopia da cegueira... Justiça
A política decadente... Postiça
Mais um ente que se vai... Saudade
Mais um facínora chegando... Maldade
A vida dos trancos e barrancos... Resista
Mais uma porta na cara... Insista

Quero partir, quero ficar, quero uma ajuda, quero ajudar
Olho por olho, dente por dente, saúde pra todos e todos doentes

O amor jogado no lixo... Egoísmo
A amizade desinteressada... Sofismo
O pão e o circo... O povo
Aumento de imposto... De novo
Mais uma noite chegando... Tarja preta
O governante acalmando... Mutreta
A religião é agora... Salvação
Não existe final... Redenção

Quero partir, quero ficar, quero uma ajuda, quero ajudar
Olho por olho, dente por dente, saúde pra todos e todos doentes

quarta-feira, 3 de junho de 2015

COLONIZAÇÃO

Ora, pois, senhor Cabral
Disseram-me que descobristes o Brasil
Em troca de interesses mil
Acobertando Portugal

Mal desembarcastes em nossa areia
Já foi ensinando coisa errada
Abusando da hospitalidade dada
Se apoderou da riqueza alheia

Apesar de pomposa educação europeia
Escravizou a quem te acolhia
Amealhando tudo que via
Fazendo o que nem temos ideia

Fomos catequizados e colonizados
E parece que aprendemos direito
Atualmente pra tudo dá-se um jeito
Utilizando os exemplos deixados

E se fossem os franceses a nos colonizar?
Baguette, vinhos, queijos, croissant...
Piaf, merci, bonjour e l’argent
Talvez mais cultura e caviar

Penso também em uma colonização inglesa
Todos pontuais e chá às cinco da tarde
Educação e reverência a Majestade
Talvez mais respeito e comida à mesa

Enfim, eis o legado de Portugal
Muito jeitinho e vinho do porto
Resolvendo tudo de um modo torto
E dançando o “Vira” com o Leal.

quarta-feira, 20 de maio de 2015

UM PAÍS

Delirei em uma história interessante
Em um país não tão distante
Com um povo engajado e cobrador

Um certo dia já cansada e inquietada
A nação em disparada foi às ruas protestar
Os poderosos vendo “a força” que surgia
Como há muito não se via
Começaram a articular

Os governantes já se vendiam a qualquer preço
Mas o que se via, era o começo
Do acerto almejado
Era o oprimido escorraçando o opressor
Com um Presidente destemido e de valor
Agora eleito com o povo a seu lado

Nesse momento emergia uma nação
Fortalecida por patriotas em  união
Era o fim do jeitinho” e “falcatrua”
Todas as crianças com acesso à escola
Ninguém mais pedia esmola
Não se morava mais nas ruas 

Os hospitais aparelhados e eficientes
Sobravam médicos e atendentes
Havia respeito e dignidade
Oportunidades de emprego “fervilhavam”
Os serviços funcionavam
Em sua maior capacidade

Toda família alimentada e bem nutrida
Agradecida pela vida
Se propunha a ajudar
A passos largos caminhava o “Gigante”
O futuro era brilhante
Com um governo exemplar

Neste momento um som estridente me assustou
Me perguntava “onde estou”?
Eu custava a acreditar
Era a imagem de um despertador indesejado
Que se formava ao meu lado
Indicando a hora de acordar
E retornando a essa tal realidade
De egoísmo e iniquidade
Roguei a Deus para voltar

segunda-feira, 11 de maio de 2015

ALEGRIA

É com tristeza que eu falo da alegria
Tão ausente hoje em dia
Mas ainda há de melhorar
É nessa pressa que caminha a humanidade
Sem amor e caridade
Tudo parece fora do lugar

Cada um olhando só pro seu umbigo
Se fantasiando de amigo
Mas a fantasia se desfaz
Vamos perdendo nossos laços de outrora
Vivendo apenas o agora
Pedindo sempre algo mais

Mas se Deus nos fez a sua imagem e semelhança
Talvez sejamos ainda crianças
Tendo muito que aprender
E em um futuro, bem mais sábios e evoluídos
Informados e instruídos
Teremos mais a receber
E retornando ao começo da poesia
Ao falarmos de alegria
Nada irá nos entristecer 

sexta-feira, 24 de abril de 2015

REDE ANTISSOCIAL


Gente perfeita, imagem certa e bem focada
Onde a imperfeição não é perdoada
Tudo reluz ao bel prazer

Informações “essenciais” do dia a dia
Se foram à praia ou à academia
Se estão bebendo ou vão correr

A todo instante uma frase de auto ajuda
Do sábio Gandhi ou mesmo Buda
Seja qual for a religião

Muitas “colagens” de pensamentos e autores
De poetas e escritores
O que importa é a erudição

A originalidade me parece bem distante
Deste mundo entediante
Que é a tal rede social

Nos tornamos ilhas solitárias e sem rumo
Idolatrando o consumo
E tudo mais que é irreal

Constantemente gente teclando em frente à tela
Nessa vida paralela
Esquecendo tudo ao seu redor

E tecla a mãe, e tecla o pai e tecla a filha
No almoço de família
Deus nos salve do pior.
                                       

terça-feira, 14 de abril de 2015

REALIDADE

Sim, sou perturbado por ver tanta hipocrisia
Desta gente sem valia
Osso duro de roer

Tanta tristeza travestida de euforia
Procurando noite e dia
Um lugar pra se esconder

Vivenciamos este mundo correria
Implorando uma alegria
Mas não há de acontecer

E da janela virtual da sua tela
Vendo a vida como é bela
Só se preocupa com o que tem

É na rasteira que o mundo te atropela
Vê que a vida não é novela
Perde tudo que convém

Ajoelhado pede ao Santo da Capela
Negocia com uma vela
Sua condição de "Zé Ninguém"

E no final, arrependido e com sequela
Vendo o resto de uma cela
Pede passagem pro além.

quarta-feira, 8 de abril de 2015

FALSIFIQUE-SE



Acorde cedo
Seja trabalhador
"Engula" o medo
Controle sua dor

Satisfaça a sociedade

Não seja quem gostaria
O preço da liberdade
Nos aprisiona noite e dia

Não fale demais

Aceite tudo calado
Evite olhar para trás
Esqueça o seu passado

Não tenha identidade
Bajule a quem te interessar
Só mostre felicidade
A ignorância irá lhe ajudar


Agradeça a esmola dada

Seguindo sempre em frente
Somos, apenas, um boi da boiada
Neste curral infestado de gente

Ao final será apenas mais um

Certamente não fará falta
Previsível homem comum
Coberto por grama alta.




quarta-feira, 1 de abril de 2015

RETORNO


Noites mal dormidas
O escuro pressiona minha mente
O corpo cansado ressente
O círculo vicioso da vida

Mais um dia de tarefas infrutíferas
Isolado, prostrado... Infeliz
Eis minha realidade “sonífera”
Rodeado de criaturas vis

Afugenta e dissipa essa nuvem
Adiante com firmeza, “Guerreiro”
Desoxida da alma a ferrugem
Alçando em voo certeiro

Alcança o sol do além
Aproveita seu momento sublime
Afaste o mal que te reprime
Jamais se torne refém

Enfim, reencontre o passado
Abre o véu que te anuvia
Redescobre o prazer de ser amado
Retornando a tão esperada ALEGRIA.