quarta-feira, 2 de setembro de 2015

O INVISÍVEL


Quem é aquele sentado na calçada?
De mão estendida e de boca fechada?
Com um olhar perdido e barba crescida
Um estranho comum de imagem esquecida

Cabelo mal feito e roupa surrada
Invisível às pessoas que passam apressadas
Talvez a espera de um gesto fraterno
Qualquer atitude que alivie seu inferno

Com a mão estendida pedindo socorro
Divide a comida com um faminto cachorro
De existência irritante aos “nobres” vizinhos
Não o admitem em seus “sagrados” caminhos

Pessoas vazias de caridade e amor
Endurecidas, egoístas e de profundo amargor
Uma manta rasgada para a noite que esfria
No lixo é encontrado o alimento do dia

Com ele é guardada toda uma história de vida
De passado mais digno e uma família perdida
Agora um pedinte de corpo adoentado
Um irmão a espera do sofrimento findado

Assim caminha a “desumana” humanidade
Miserável de afeto, nessa patética cidade
Mas como a justiça há sempre de ser feita
Chegará implacável nos obrigando a colheita...

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